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sexta-feira, 11 de maio de 2018

MENTIRA


Este poema de Affonso Romano de Sant'Anna foi publicado inicialmente no JB, em 1984, quando ocorreu a explosão da bomba no Riocentro. A bomba era pra explodir dentro do Riocentro onde se concentravam milhares de jovens no show de artistas em comemoração ao dia primeiro de maio.
Felizmente, a bomba explodiu dentro do carro dos militares que levavam o artefato. Explodiu no colo deles, matando o sargento e destruindo os genitais do tenente. A ditadura, em seu melancólico final, mentiu afirmando que os dois foram alvo de um atentado.
Tem tudo a ver com a contrafação que rola na hipócrita, mentirosa e cínica mídia que mente irracionalmente.

Fragmento 1
Mentiram-me. 
Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. 
Mentem de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente mentem. 
Mentem tão nacional/mente que acham que mentindo 
história afora vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases falam. 
E desfilam de tal modo nuas que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade pela mentira, 
nem à democracia pela ditadura.


Fragmento 2
Evidente/mente a crer nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima 
e em Auschwitz havia um circo permanente.
Mentem. Mentem caricatural-mente.
Mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente,
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem clara/mente 
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente, 
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. 
Mentem com a cara limpa 
e nas mãos o sangue quente. 
Mentem ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. 
Mentem fabulosa/mente como o caçador 
que quer passar gato por lebre. 
E nessa trilha de mentiras a caça 
é que caça o caçador com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial/mente,
mente partidária/mente,
mente incivil/mente,
mente tropical/mente,
mente incontinente/mente,
mente hereditária/mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país de mentira diária/mente.

Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente passam a mentira a limpo. 
E no futuro mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu quem mente
mas o tribunal que o julga herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria, viajando pelo avesso, 
iludindo a corrente em curso, transformando a história do país num acidente de percurso.

Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada 
me faz partir para o deserto penitente/mente 
ou me exilar com Mozart musical/mente 
em harpas e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador a sua frente.
Penso nos pássaros cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora tenha a noite pela frente.

Fragmento 5
Página branca onde escrevo. 
Único espaço de verdade que me resta. 
Onde transcrevo o arroubo, a esperança, 
e onde tarde ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo onde o advérbio e o adjetivo 
não mentem ao substantivo
e a rima rebenta a frase numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva se não explode pra fora
pra dentro explode implosiva.

                                                   

“Só não mais terá valor quem mente quando a gente, usar a mente.” (comentou uma ex-blogueira e ex-amiga quando publiquei o poema

pela primeira vez)


quinta-feira, 19 de abril de 2018

MELHOR IDADE?

Vou ao Banco Itaú mensalmente, apenas uma vez e somente para depositar o que recebo em cheques. Faço todo o resto pelo Itaú Bankline.
Este mês, havia gente pra cacete. As filas se confundiam. Identifiquei um senhor, cabelos brancos como os meus, que parecia ser o último de uma fila e perguntei: “Esta é a fila dos anciãos?”
O coroa não gostou e respondeu sério: “Aqui é a fila da melhor idade”.
Fiquei na minha, mas, de imediato, senti o que o politicamente correto faz com a mentalidade dessa gente. Não aceitam mais uma piada tão inocente e caseira. 
O politicamente correto faz com que levem a sério a sua própria seriedade e passem a crer naquilo que é contrário à realidade mas que é difundido impunemente.
Eu posso falar porque já passei dos oitenta. Minha melhor idade foi aí entre os 30 e 50 anos de idade.
Não existe melhor idade que essa. A não ser para os atletas. 
É quando a gente já sabe pra que veio ao mundo. Já superou todos os obstáculos, sabe o que quer e tem absoluta confiança em si próprio. Não faz mais tanta besteira. Não precisa mais tentar parecer o que não é de fato. Pode mostrar-se por inteiro, despido de vaidades e não se incomoda mais com as críticas.
Aos 50, porém, você percebe que é o começo do fim. Seu prazo de validade está se esgotando. Mas, quando passa dos 80 é maravilhoso: a gente tudo pode na idade que nos fortalece.
Considero, porém, que a propaganda enganosa da melhor idade até que favorece o famoso “pé-na-cova” oferecendo-lhe motivos para sorrir à beira da própria sepultura.
Algum mérito, portanto, possui esse tipo de politicamente correto. Mas, nem tudo que é politicamente correto tem méritos. Principalmente para mim que considero os apelidos algo genial e sou politicamente quase incorreto.
É dureza ter que falar do anão como um deficiente vertical, ele sempre será o pintor de rodapé; chamar o negão de afrodescente em vez de picolé de asfalto; o branco azedo de cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente; não se pode dizer que a mulher feia nasceu pelo avesso, mas, sim, que ela tem um padrão de beleza divergente dos preceitos estéticos contemporâneos; o gordo – o famoso rolha de poço – e o magro – conhecido como pau de virar tripa – são cidadãos fora do peso ideal; o careca – ou pouca telha – passa a ser o indivíduo desprovido de pelos na cabeça.
Felizmente, a guerra contra o terror está mandando o politicamente correto para o brejo. Permitiu que voltássemos a pronunciar e escrever favela. Uma das palavras mais bonitas do idioma, além de ser fabulosamente poética.
A mídia e as autoridades parece que estão esquecendo do termo comunidade que é o politicamente correto.

OBS.: o antepenúltimo parágrafo foi lambido do http://www.dzai.com.br/blogdadad/blog/blogdaddad a minha professora de português.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS


Beto Picasso era aquele cara de quem não se restava a menor dúvida: tinha tudo pra dar errado. 
Nasceu de sete meses no Jacarezinho, pai cachaceiro e mãe prostituta.
Teve uma infância complicada, não quis saber de escola; tentou ser jogador de futebol, mas um acidente de moto acabou com sua carreira esportiva. Queria ser pintor, mas sua pintura era ridícula e quase infantil.
Aos 19 anos, era tudo de pior que um ser humano podia ser: semi-analfabeto, “framenguista”, funkeiro, fascista, viciado em crack, roubava para sustentar o vício. Passava o dia inteiro na cracolândia da favela no meio do lixo. 
Ele próprio um lixo, um traste. Um farrapo quase humano.
Do outro lado da cidade, residia Sônia, solitária, viúva recente de um general. Cinquentona sem filhos que ainda dava um caldo e era muito religiosa. Dizia que sexo somente no casamento. Frequentava a Universal e contribuía com um dízimo substancial. Quando viu que o seu pastor enriquecia a olhos vistos, decidiu ela mesma realizar seus próprios milagres.
Empolgada com a política de redução de danos no tratamento de drogados que ela conheceu na Alemanha, Holanda e Austrália, decidiu implantá-la aqui. 
Na Europa, aprendeu que o vício pode ser usado contra o próprio vício, bastando oferecer aos viciados um local para consumi-lo sem que fosse preciso roubar ou se prostituir. Nesse local, concomitantemente ao fornecimento da droga gratuitamente haveria todo um tratamento psicológico e terapêutico para desintoxicação, além da oferta de alimentação e a prática de higiene.
Decidiu testar a teoria em sua própria mansão na Gávea e para lá levou Beto Picasso a quem conheceu numa de suas visitas à cracolândia do Jacarezinho.
Deu uma geral no cara, incluindo corte de cabelo e banho de loja. Comprou material de pintura para o “Picasso” desenvolver todo o seu talento. 
Ele passava o dia tranquilamente, bem alimentado, tomando vitaminas, pintando, fumando crack com o cachimbo do general e não queria outra vida. Um dia, resolveu mergulhar nu na piscina. 
A distinta senhora o viu. Viu também o tamanho da peia e descobriu que o apelido Beto Picasso não se referia aos quadros que ele tentava pintar. Carente há mais de um ano, desde a viuvez, apaixonou-se. Religiosa, pediu Beto em casamento. 
Ele topou - claro! – e, na noite de núpcias, negou fogo.
Negou fogo em toda a lua de mel. O crack deixou o Picasso impotente. Sônia apelou para o Viagra. Não adiantou. Tentou com o Levitra. Nada. Desistiu.
Certa noite, deprimida e incapaz de conciliar o sono, foi à janela e o viu, na piscina, fazendo sexo com a empregada doméstica. Pegou a 9mm do general e atirou três vezes. Uma bala foi fatal para a jovem empregada. Beto correu nu para a rua sob uma saraivada de tiros.
Foi pego pela polícia que o levou de volta à casa. Os policiais chegaram a tempo de ver Sônia encostar a arma na cabeça, puxar o gatilho e cair.
Beto Picasso que tinha tudo para dar errado, acabou se dando bem. 
Herdou a fortuna do general: a pensão, a poupança e todo o patrimônio.
A política de redução de danos foi benéfica para Beto Picasso. 
Ele, porém, jamais abandonou o vício.

terça-feira, 13 de março de 2018

O FRACASSO DO CAMPEONATO CARIOCA



O Jornal do Brasil online faz uma enquete para saber a opinião dos leitores sobre a culpa pelo fracasso do campeonato carioca. O resultado até hoje é o seguinte: 57% - Federação de Futebol do Rio; 22% - Clubes; 8% - Torcedores; 12% - Jogadores. Faltou uma opção, a TV Globo.
Esquece o JB que o campeonato não é mais carioca, cadê o América, o Bonsucesso, o Olaria, o Campo Grande, o São Cristóvão.
O campeonato agora é fluminense, sem os cariocas citados e com times do interior do estado aonde o torcedor não tem condição de acompanhar os jogos.
Até aí, a culpa é da federação e dos clubes que acabaram com o carioca. É também das infames e sórdidas torcidas organizadas que espantam dos estádios aqueles que amam o futebol. 
É também dos jogadores. Que jogadores temos hoje? Faltam ídolos.
Ah! No meu tempo de frequentar estádios... Eu vi jogarem Heleno de Freitas, Domingos da Guia, Zizinho.
Eu tantas vezes me maravilhei com o Flamengo de Zico, Adílio, Dequinha, Rubens, Djalminha, Marcelinho; com o Bdsotafogo de Garrincha, Gerson, Nilton Santos, Jairzinho, Amarildo, Paulo César Caju; com o Vasco de Danilo, Ipojucan, Jair da Rosa Pinto, Ademir, Roberto Dinamite, Romário, Edmundo; com o Fluminense de Castilho, Carlos Alberto Torres, Didi, Telê, Assis, Paulo César Caju, Rivelino. 
Tempo bom! Cada time tinha o seu ídolo. Até mesmo os juízes eram melhores, assim como  os narradores e comentaristas. Tempo de João Saldanha e Nelson Rodrigues.
E hoje, o que temos? Pseudos craques com seus penteados ridículos, tatuagens estúpidas e uma numeração absurda nas camisas que não permite à garotada fazer o bolo para acertar quem fará o primeiro gol.
Portanto, a culpa pelo fracasso do campeonato é de todos os citados na enquete e mais ainda da TV Globo, dona das transmissões, que coloca o jogo às 21:45 pra salvar o horário da novela e não permite que nenhuma outra emissora transmita os jogos.

quinta-feira, 8 de março de 2018

HOMENAGEM À MULHER


Eu amo todas as mulheres e sou apaixonado pelas mulheres bonitas. Por isso, peço perdão a todas por lembrar da “homenagem” feita pela Prefeitura de Macaé, em 2014.
Observem a “arte” criada para ressaltar a data de hoje.
O prefeito era Aluízio dos Santos Júnior, do PV. Perdoai-o senhoras.  

quinta-feira, 1 de março de 2018

QUE PRESSA É ESSA?

Andando pelo Rio – Centro, Flamendo, Copacabana – senti como se estivesse em São Paulo. Nunca vi tanta gente com tanta pressa.
Até os velhinhos têm pressa. O cara de muleta não sei como anda tão rápido. E aquele na cadeira de rodas, como desliza ligeiro. Crianças correndo. Adultos, homens e mulheres apressados. Mães e seus carrinhos de bebê com muita pressa. Parece que somente estes, como eu, não têm pressa alguma.
No metrô, como correm... Descem a escadaria de dois em dois degraus, correndo pra pegar o trem que está quase fechando as portas. Como se não viesse outro daí a um minuto. Ou, no máximo, um minuto e meio. E para entrar no trem, todos querem ser os primeiros. Nem deixam os outros saírem. 

Sou o último a entrar ou a sair do trem. 
A pressa não é só matutina, é também vespertina.
Vou devagar, quase parando, já tive pressa outrora. Agora, sigo no mundo a passeio com meu passinho de pinguim, quase sem levantar os pés do chão, vez em quando levo um esbarrão. 

Nem ligo, vou levando, observando, admirando tudo. 
Vou lentamente em meio à pressa de todos, apreciando o caminho e sem me importar com o destino. 

É como quando escrevo sem nunca saber o que dizer no final, pois sei que vou encontrar a saída, enquanto vou me deliciando com as palavras. 
Pra que essa pressa insana? Que pressa à beça é essa? Tudo tem seu tempo certo.
Estariam todos atrasados pra chegar a lugar nenhum ou para encontrar o seu amor? Acho que não, até os casais de namorados estão quase correndo. Estarão fugindo ou será um caso de emergência? Talvez, dois, pois seguem em sentido contrário.
Sempre soube que a pressa é inimiga da perfeição e que afobado come cru. Sei também que a pressa é cega para o que há de belo no trajeto.
Quem tem pressa apenas olha e não enxerga. Não veem as belas mulheres que cruzam nosso caminho. 
As melhores coisas da vida nós fazemos sem pressa, bem devagar: um carinho, o abraço, o beijo, a transa.
Eu sou a prova viva de que a vida sem pressa dura muito mais.
“Não percamos tempo, mas não tenhamos pressa”, aconselhou Saramago.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A NOVA CUNHADA

Eram três amigas, bonitas, casadas e com filhos pequenos quase da mesma idade. Moravam no mesmo terreno em Jacarepaguá. Uma era casada com o irmão da primeira que era casada com o irmão do marido da terceira. Eram todos, portanto, cunhados ou concunhados.
À tarde, após mandar os filhos para a escola, reuniam-se para jogar conversa fora. Ainda não havia feissibuque, fato que as tornavam amigas muito íntimas, felizes e bem resolvidas.
Havia outra família no mesmo terreno: os pais e um terceiro irmão solteiro que começou namoro firme com uma morena de corpo muito bonito e rosto nem tanto. Chamava-se Carminha e foi muito bem recebida pelas outras três, entrando no grupo para aquele papo vespertino e descontraído.
Em pouco tempo, era outra amiga íntima. Foi quando o irmão solteiro perdeu o emprego e não conseguia trabalho. Pediu, então, ao irmão mais velho para conseguir uma colocação para a namorada.
Carminha não tinha qualquer experiência, seria seu primeiro emprego, mas o irmão – Aloísio - levou-a pra trabalhar com ele e sempre lhe dava carona.
Nas viagens de ida e volta, Carminha contava-lhe as fofocas que ouvira naquelas tardes de alegre bate-papo amigável e despretensioso. Contou-lhe que a sua esposa o considerava o melhor amante do mundo, que sabia fazer uma mulher feliz na cama.
Carminha gostaria de saber se era verdade. “Me leva para um motel”, pediu ela numa segunda-feira na volta para casa.
Aloísio recusou-se: “Mas, você vai casar, não vai? Não posso. De jeito nenhum, Não vou trair meu irmão”.
Na porta de casa, na despedida, Carminha abriu a blusa e mostrou-lhe os seios firmes, perfeitos, morenos, perversamente divinos, ornamentais, dignos de reverência e veneração.
Aloísio não se conteve, tocou-lhe os seios e, arrependido, ordenou-lhe: “Saia do carro, já”.
Em casa, durante o jantar, Celinha – a esposa de Aloísio – um tanto deprimida, fez um pedido que foi quase uma intimação: “Quero colocar silicone nos seios”.
- “O quê que é isso? Gosto de você assim. O que houve contigo? – espantou-se o marido.
Celinha explicou: “É que ontem decidimos comparar nossos seios. Saí perdendo na comparação. Quero ficar com os seios iguais aos da Carminha”.
- “Não tenho dinheiro pra isso. Silicone nem pensar” – opôs-se Aloísio.
Ingênua, Celinha argumentou: “A Carminha tem uma tia enfermeira que aplica silicone baratinho lá em Caxias”.
Discutiram e foram dormir. “Então é isso!”,pensava Aloísio.
Dia seguinte, na carona de ida, Aloísio e Carminha, além do bom-dia, não se falaram. Na volta, Aloísio tomou o caminho da Barra. Parou num local ermo de frente para o mar, no Recreio, e pediu:”Quero ver teus seios novamente”.
Carminha abriu a blusa e mostrou. “Não. Tira a blusa e o sutiã, tira”. Carminha, toda assanhada, tirou tudo. Ficou só de calcinha.
- “Agora, vai para a frente do carro que eu quero iluminar você todinha com o farol”.Carminha foi. Fez pose sensual. Aloísio acendeu o farol alto, iluminando aquele monumento de mulher.
Devagar, Aloísio deu marcha a ré no carro e partiu velozmente pra casa. Carminha ficou seminua na praia escura. Entrou no mar para se esconder.
Ninguém nunca mais soube dela.
Dias depois, desconfiaram que era de Carminha o corpo irreconhecível que surgiu em Grumari. 
Aloísio tinha certeza. Arrependeu-se, pagou o silicone de Celinha e não quis ver como ficaram os seios da mulher.
Suicidou-se.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO É PRENÚNCIO DE DITADURA


A diretora do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro – Joana Monteiro – afirmou que não houve uma onda de violência atípica no estado em 2018. Segundo ela, “foram registradas 5.865 ocorrências policiais, entre os dias 9 e 14 de fevereiro, enquanto no carnaval de 2017 foram 5.773 ocorrências. Em 2016, foram 9.016 ocorrências registradas e, em 2015, computaram-se no total 9.062 ocorrências policiais”.
A primeira declaração do general interventor – Braga Neto -  ao ser questionado, atribuiu o clima de fim de mundo aos excessos da mídia.
Como vemos, esse general é esperto e não foi manipulado pelo terrorismo televisivo. Portanto, bastará reunir-se com os manipuladores e ordenar: “chega de terrorismo”. E a mídia passará a exibir uma cidade pacificada.
Além disso, espalhará pela cidade seus soldadinhos, que são todos jovens e sem qualquer treinamento, para dar aos cidadãos uma sensação temporária de segurança.
Como disse, o general é esperto e não vai querer sair desmoralizado desta aventura como aconteceu com outro general na Maré. Lá, o Exército ocupou a favela por um ano e desgastou-se na relação com a comunidade, a um custo de 600 milhões de reais. E tão logo as tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais força.
Desta vez, a inteligência militar – aquele oxímoro – deve funcionar. Vai ser um sucesso. O povo crente  que produz seus delinquentes e a criminalidade vai acreditar na farsa, vai dar graças a deus, a jesus, ao general, ao exército.  
A direita, sem candidato, vai vibrar com a possibilidade de uma intervenção em todo o país.
E aí, adeus eleição. É o prenúncio de volta da ditadura.

N.L.: o general Richard Fernandez Nunes que - como eu disse acima - saiu desmoralizado com seu fracasso no comando da intervenção na Maré, caiu pra cima: foi nomeado secretário de segurança pelo outro general.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

PNEUMONIA AOS 80 ANOS

Paguei caro pelo meu ingresso neste ano novo. O ano da febre amarela que será deprimente se a Copa do Mundo não salvá-lo da tristeza de ser brasileiro.
Fui levado por familiares para o Hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca.  Passei por uma extensa bateria de exames, fui diagnosticado com pneumonia e foi decretada a minha internação, pois pneumonia após 80 anos mata se não for bem tratada.
Mas, não havia vagas e o próprio hospital me encaminhou de ambulância para o Hospital Badim, no Maracanã. Nunca tinha ouvido falar nele, e isso lá é nome de hospital... 
Mas, meu livre arbítrio tinha sido cassado e lá cheguei com todos os resultados clínicos obtidos no São Vicente de Paulo.
Pra minha surpresa, cheguei à conclusão que médico não confia em médicos, pois fui logo submetido a todos os exames novamente, perfurado sem dó nem piedade. Encaminhado a um quarto particular com acompanhante, passei a ser muito bem tratado por um bando de mulheres bonitas, simpáticas e sorridentes, que não me deixavam dormir com tanto remédio que me davam até de madrugada. Nem me deixavam sentir fome. Às seis, café da manhã; às nove, suco e biscoitos; ao meio-dia, almoço; às três, café da tarde; às seis, jantar; e, às nove, merenda.
Logo no primeiro dia, duas delas vieram me dar banho às seis da manhã. Colocaram-me nu em uma cadeira de rodas sem fundo e levaram-me para o chuveiro.
Ouvi quando uma disse pra  outra: “pequeno, não é!”
Entrei no papo e esclareci: “era bem maior, mas usei demais e... gastou”.
O hospital foi ótimo, quatro dias e noites de atendimento perfeito. Deixou-me pronto para encarar a febre amarela e nada me cobraram.
Só não sei o que o Saúde-Caixa fará com o salário da minha mulher no mês que vem. Depois, eu conto.
E por falar em febre amarela, que fim levou a dengue?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

É NATAL

Hoje, somente existe o bem...
Secam-se as lágrimas,
Brotam os sorrisos,
Há uma profusão de abraços,
O amor floresce em cada coração.
Lembranças, muitas lembranças...
Gestos e palavras são de afeto,
Mensagens de amor e de paz.
Somos todos crianças,
Somos todos iguais...
Sonhos se realizam,
A alegria nos invade,
Festa nos bares,
Brilho nos olhares...
Tudo é só felicidade,
Confraternização cristã...
Hoje é Natal,
Feliz Natal...
Que seja Natal amanhã. 
E também depois de amanhã,

Que seja sempre Natal.

sábado, 16 de dezembro de 2017

RIO 1959

“Comece a luta dentro de sua casa. Chame as suas filhas, os seus filhos, toda a família, para uma conversa, e diga-lhes que não esperem muito senão de si mesmos. 
Que a impunidade é a resposta que nesta terra se dá a tantos crimes contra a vida, contra a honra, contra o patrimônio.
Mata-se no Rio de Janeiro, em um mês, duas vezes mais que em Londres, em um ano.
A vida de um ser humano, na capital brasileira, é a única mercadoria deflacionária: vale apenas um pedaço de chumbo.
Os bandidos cortam a barriga de um pobre chefe de família que volta para casa, roubam-lhe os embrulhos, e, sorrindo, deixam o infeliz estirado numa poça de sangue. 

Casais são assaltados e levam tiros no rosto. A violência, o latrocínio, a morte fria campeiam impunemente pela cidade - e não se vê uma atitude decisiva, um grito de advertência, como se estivéssemos acostumados a isto, como se tudo fosse natural.
A impunidade forja os maus exemplos. Novos bandidos surgem. Novas quadrilhas de marginais se formam - e a impunidade continua. 

O Chefe de Polícia pode fazer justiça, fazer limpeza, livrar a cidade de assassinos irrecuperáveis - mas, apenas os assassinos que vieram dos morros, que vieram da sarjeta, que vieram do SAM desaparecem. 
Os abastados ficam. Os mocinhos, filhos de pais ricos, que se divertem com a honra das meninas inexperientes, que se valem do dinheiro dos pais, do dinheiro que lhes dará a impunidade quando se tornar necessário. 
Dedicamos esta reportagem, primeiro às mocinhas, mesmo às mais sensatas, lembrando que a virtude precisa ser protegida. Depois, aos pais de família, para que conheçam os perigos que suas filhas (e os seus filhos) correm todos os dias, todas as noites nesta cidade.
Ao Presidente da República que, afinal, também tem filhas, e sabe o que isto representa. 

Finalmente, aos juízes íntegros, para que não deixem impunes tais crimes, a fim de que, exausto, cada pai de família atingido não venha a fazer justiça com as suas próprias mãos.”
Escrito por David Nasser – O Cruzeiro – 30/05/1959


Esse texto tem quase 60 anos. Reproduzo-o aqui para que os nostálgicos desmemoriados não me venham com tênues lembranças colhidas em um tempo que jamais existiu. Somente as meninas inexperientes existiram um dia.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

QUEM NÃO LÊ...

Mal fala, mal ouve, mal vê.
Mal pensa, mal escreve, mal sabe, mal compreende, mal come, mal bebe, mal paga, mal compra, mal vende, mal aluga, mal contrata, mal negocia, mal gasta, mal economiza, mal viaja, mal passeia, mal joga, mal aposta, mal conversa, mal discute, mal dialoga, mal opina, mal questiona, mal diverge, mal decide, mal vota, mal elege, mal silencia, mal malha, mal trabalha, mal ama, mal ora, mal perdoa, mal planeja, mal organiza, mal orienta, mal coordena, mal reclama, mal engana, mal convence, mal cresce, mal avança, mal triunfa, mal comanda, mal chefia, mal gerencia, mal governa, mal lidera, mal administra, mal veta, mal decreta, mal legisla, mal discursa, mal anuncia, mal cria, mal ganha, mal empresta, mal acerta, mal compete, mal compara, mal disfarça, mal relata, mal elogia, mal aprecia, mal critica, mal comenta, mal concorda, mal nega, mal argumenta, mal renega, mal sonega, mal alega, mal blefa, mal tapeia, mal zoneia, mal começa, mal termina, mal chega, mal parte, mal delega, mal emprega, mal aproveita, mal respeita, mal espreita, mal suspeita, mal prevê, mal deseja, mal acusa, mal recusa, mal festeja, mal zela, mal revela, mal aconselha, mal recomenda, mal lembra, mal tenta, mal representa, mal considera, mal delibera, mal pondera, mal prospera, mal tolera, mal regenera, mal observa, mal verifica, mal interpreta, mal assimila, mal dissimula, mal confessa, mal contesta, mal protesta, mal desconfia, mal estagia, mal policia, mal investiga, mal apura, mal indicia, mal condena, mal explica, mal justifica, mal participa, mal reivindica, mal luta, mal conquista, mal replica, mal castiga, mal computa, mal educa, mal ensina, mal estuda, mal aprende, mal pergunta, mal responde, mal memoriza, mal doutrina, mal disciplina, mal motiva, mal denomina, mal imagina, mal improvisa, mal impressiona, mal crê, mal insulta, mal consulta, mal diagnostica, mal medica, mal cura, mal age, mal sente, mal curte, mal existe, mal vive, mal morre.
Mal raciocina. Mal paquera. Mal seduz. Mal namora. Mal transa. Mal engravida.
O pior cego é aquele que não quer ler.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

GILMAR QUER LIBERAR O CUNHA

Aquele hipócrita demiurgo que liberou o Cacciola, o Daniel Dantas, o Abdelmassif, o Primenta Neves, o Aécio Neves, agora foi o único que quis livrar o Eduardo Cunha da cadeia.
Foi ele, também, que, arrotando o poder do ódio e em linguagem virulenta, vociferava alucinado e possesso ao proclamar seu voto contra os embargos infringentes no processo da AP470.
“Por que quatro? Por que não três? Por que não dois? Por que não um?”
Por quê? Ora, porque a lei brasileira diz que são quatro. Somente por isso e ele sabia disso, mas queria aparecer diante das câmeras e agradar a imprensa que o mantém em evidência.
“Por que nos outros tribunais não existem embargos infringentes? Por que existem somente no STF?”, bradava ele em outra suprema teoria frustrada.
É claro que ele também sabia por quê. Porque nos outros tribunais há sempre uma instância superior para se apelar. Simples assim. O STF é a última instância e o réu somente pode apelar para ele mesmo e somente quando obtém quatro votos favoráveis para a absolvição. É o direito ao duplo grau de jurisdição devido a erro ou divergência de opinião entre juízes. E, no caso, a divergência é muito significativa: é superior a 50% entre os quatro que absolvem e os sete que condenam.
Isto me faz lembrar o processo criminal americano em que o tribunal do júri é formado por doze cidadãos. Lá basta que apenas um jurado absolva para que o réu não seja condenado. É preciso que a decisão do júri seja unânime para a condenação do réu. 
E o que é importante: os doze jurados ficam absolutamente isolados durante todo o tempo necessário, às vezes dias e noites, para tomar uma decisão a favor ou contra o réu. Se não houver certeza absoluta da culpa, o réu poderá ser absolvido. A dúvida favorece o réu.
Neste caso não são necessários quatro, nem três, nem dois jurados a favor do réu. Basta um para absolvê-lo. Por quê? Ora, é o que diz a lei americana.
Entretanto, a promotoria ou o próprio juiz poderão apelar para um outro julgamento com outra turma de jurados se considerarem que a decisão não correspondeu ao que foi provado nos autos do processo.
Se em novo julgamento for confirmada a decisão anterior, o réu está absolvido. Se não, é a defesa quem poderá apelar por um novo julgamento.
Creio ser esta a melhor expressão do princípio jurídico da presunção de inocência: in dúbio pro reo. É um dos pilares do direito penal universal que, em caso de dúvida, o réu seja sempre favorecido.
O Gilmar Cacciola Mendes sempre soube disso tudo que somente é novidade para aqueles que são leigos sobre o seu próprio direito. Então, por que agiu daquela forma? Talvez, pensasse ainda ser um promotor ou um juiz diante do tribunal do júri no Brasil.
Aqui, encerrado o debate entre a promotoria e a defesa, apenas sete jurados reúnem-se, em sala secreta, e na presença do todo-poderoso juiz, para responder as perguntas por ele mesmo elaboradas. Algumas delas são repetitivas e sem qualquer racionalidade. Outras facciosas ou, no mínimo, tendenciosas que conduzem os jurados para a condenação ou para a absolvição. A emoção e o receio por estarem diante de um juiz como o Gilmar Neves Mendes tornam os jurados plena e facilmente passíveis de manipulação. Qualquer quatro a três serve para absolver ou condenar o réu. A decisão sai em poucas horas. Ou minutos.
Sou mais o processo penal americano. Lá, um Gilmar Cunha Mendes não se criava porque in dubio pro reo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

ZUMBI, HEROI OU ...

Ganga-Zumba, filho da Princesa Aqualtune, reinou durante décadas, levando Palmares ao apogeu e a ser reconhecido como nação pela Coroa Portuguesa. Assinou um pacto em 1678, com o governador da Capitania de Pernambuco. Foi traído e assassinado no mocambo Cucaú por um seguidor de Zumbi.
A história comete uma grande injustiça quando conta a saga do Quilombo dos Palmares. Nela, Zumbi aparece como o grande e único personagem na luta contra o governo escravocrata. A verdade é que Palmares atingiu o apogeu graças a Ganga-Zumba, o grande estadista do quilombo.
Ganga-Zumba foi o primeiro grande chefe conhecido do Quilombo de Palmares. Era tio de Zumbi e celebrizou-se por ter assinado um tratado de paz com o governo de Pernambuco.
Em 1677, sob sua chefia, Palmares travou dura guerra contra a expedição portuguesa de Fernão Carrilho. 

Nesta batalha, as tropas da coroa fizeram 47 prisioneiros, entre os quais dois filhos de Ganga-Zumba - Zambi e Acaiene - netos e sobrinhos. Um de seus filhos, Toculo, foi morto na luta. O próprio Ganga-Zumba foi ferido por uma flecha mas escapou.
Em 1678, o governador Pedro de Almeida fez a primeira proposta de paz a Ganga-Zumba, oferecendo ''união, bom tratamento e terras'', além de prometer devolver ''as mulheres e filhos'' de negros que estivessem em seu poder. 

O  oficial enviado a Palmares para levar a proposta retornou a Recife, à frente de um grupo de 15 palmarinos, entre os quais se encontravam três filhos de Ganga-Zumba.
Em troca da paz, os palmarinos pediam liberdade para os nascidos em Palmares, permissão para estabelecer ''comércio e trato'' com os moradores da região e um lugar onde pudessem viver ''sujeitos às disposições'' da autoridade da capitania. Prometiam entregar os escravos que dali em diante fugissem e fossem para Palmares. 

Em novembro, Ganga-Zumba foi a Recife assinar o acordo. Recebido com honrarias pelo governador, é cedida a ele e seus partidários a região de Cucaú.
Parte dos palmarinos, liderados por Zumbi, contrários ao acordo de paz, recusaram-se a deixar Palmares. 

Para historiadores, Zumbi ofuscou Ganga-Zumba. Novas interpretações da história do Quilombo dos Palmares são apresentadas em alguns dos ensaios do livro ''História do Quilombo no Brasil'', lançado pela Companhia das Letras.
Trata-se de uma coletânea de 17 textos sobre quilombos brasileiros, de autores nacionais e estrangeiros, incluindo os organizadores João José Reis, professor de história da Universidade Federal da Bahia, e Flávio dos Santos Gomes, professor da Universidade Federal do Pará.
Os organizadores acham que ''é preciso rever Palmares à luz de novas perspectivas'' e que os documentos já descobertos são suficientes para se escrever a história do quilombo.
Os autores são da opinião de que é preciso rever o papel histórico de Ganga-Zumba e o tratado de paz por ele proposto aos portugueses, muito semelhante aos acordos celebrados entre escravos negros de outros países da América que conseguiram liberdade na mesma época.
''Ganga-Zumba é diminuído em função de uma historiografia do heroísmo'', afirma João José Reis, referindo-se ao fato de ter sido necessária a criação do herói Zumbi. Já Flávio Gomes é da opinião de que ''as pesquisas que existem hoje sobre Palmares são limitadas na perspectiva de análise e não nas informações''.
O professor João José Reis afirma: 
Quero dizer que, é claro, todo herói tem que ser superdimensionado, ou não seria herói. Então, Zumbi não foge ao modelo. Mas nós não sabemos se, caso ele tivesse seguido a mesma estratégia conciliatória, Palmares teria sobrevivido.
O que Ganga-Zumba tentou foi feito em outros lugares da América e deu certo, no sentido de que grupos de quilombolas conseguiram a liberdade e sobrevivem até hoje com sua identidade própria.
É o caso dos Saramacas no Suriname. O conteúdo desses tratados é muito semelhante ao tratado do Ganga-Zumba, que já falava em concessões de terra, permissões de comércio etc.”

A história comete uma injustiça quando conta a saga do Quilombo dos Palmares. 
Nela, Zumbi aparece como o grande e único personagem na luta contra o governo escravocrata. A verdade é que Palmares só atingiu o apogeu graças a Ganga-Zumba, o grande estadista do quilombo. 
Pouco se sabe dele. Era um negro africano alto e forte que chegou a Palmares por volta de 1630. Nesta época, Palmares era formado por povoados, os mocambos (mukambo é esconderijo no dialeto banto). Ganga-Zumba sabia que um quilombo unido dificilmente seria vencido e procurou os líderes locais.
Reuniu os onze maiores mocambos em uma confederação e foi eleito comandante geral. E assim, iniciou-se o período mais próspero e feliz da existência de Palmares. 
Porém, para tentar acabar com as tentativas de invasão que não cessavam e que obrigavam os habitantes de Palmares a viverem sempre na expectativa de uma guerra, Ganga-Zumba decidiu negociar uma paz duradoura com os brancos.

N.L.: lambido de fontes diversas

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MINHA AUTO-ESTIMA

Exacerbada ou não, é uma virtude. É a melhor aliada do sucesso na vida pessoal e/ou profissional. A moderna psicologia não aceita mais a idéia de que alguém possa ter auto-estima em excesso. Seria como ter saúde em excesso.
Quem possui esta qualidade tem amor-próprio, autoconfiança, acredita em si, e dispensa livros de auto-ajuda.
Eu jamais os li porque logo que me conheci me apaixonei por mim mesmo. Foi amor à primeira vista que ainda perdura.
Também me apaixonei por várias mulheres, pois, jamais consegui me relacionar com elas sem me apaixonar profundamente. E apaixonei-me pelos meus ídolos. Hoje, restam-me apenas dois em plena atividade: o Lula e eu.
Fui criticado por ter auto-estima exacerbada. Devo dizer que sim, eu me amo loucamente. Eu sou o meu melhor amigo. E este amor-próprio é o meu sistema imunológico emocional.
Os psicólogos são unânimes em afirmar que a auto-estima é a principal ferramenta com que o ser humano conta para enfrentar os desafios.
"A auto-estima é o conceito mais estudado na psicologia social, e há um bom motivo para isso. Ela é a chave para a convivência harmoniosa no mundo civilizado" – afirmou Peter Burke.
Quem não acredita em si mesmo até acha que não vale a pena dizer o que pensa. Entretanto, desde o início da civilização, o mundo é movido por pessoas que confiam em suas idéias e que se sentem estimuladas a dividi-las com os outros. Diz a psicologia que isso vale tanto para cientistas quanto para poetas, para artistas e para políticos.

Deve valer também para humildes blogueiros como eu.
O filósofo grego Aristóteles já observava que a esperança e o entusiasmo, juntos, formam a centelha da autoconfiança, sem a qual os jovens não teriam futuro.
Hoje se sabe que é possível desenvolver a auto-estima em qualquer idade e mantê-la elevada para sempre. O sucesso dessa empreitada depende não apenas da visão que se tem de si mesmo, mas também da avaliação que se faz da sociedade em que se vive.
Em 2004, três estudos da Universidade de Dakota do Norte, nos Estados Unidos, envolvendo 257 estudantes, constataram que os mais pessimistas e que tinham uma percepção negativa sobre diversas atividades do local em que viviam, eram também os que apresentavam a pior impressão de si mesmos. 

"As pessoas que aprendem a adequar sua maneira de agir aos valores da sociedade em que vivem são as que possuem auto-estima mais elevada" - disse Shinobu Kitayama,
Todos conhecemos, em tese, a definição básica de auto-estima: é a estima que se tem por si mesmo, ou seja, o quanto a pessoa se valoriza. O quanto se quer bem e se aceita.
Aperfeiçoando esta definição, pode-se dizer que a auto-estima é um ato de amor e de confiança consigo mesmo. É preciso entender bem que são as duas coisas juntas: o "amor-próprio" e a "autoconfiança". Faltando um destes ingredientes, não teremos uma auto-estima verdadeira.
Amar a si mesmo sem confiança nos seus atos ou pensamentos não resolve. Confiança em seus projetos ou na sua capacidade de conquista sem o amor-próprio também não traz felicidade.
Uma pesquisa do Stress Management Association(ISMA-BR) constatou que os brasileiros possuem baixa auto-estima em comparação com os americanos e os franceses.
O estudo foi feito com 760 brasileiros entre 23 e 60 anos de Porto Alegre e São Paulo. O mesmo número de pessoas foi entrevistado nos Estados Unidos e na França.
Segundo a pesquisa, 59% dos brasileiros sofrem de baixa auto-estima, contra 22% dos americanos e 27% dos franceses.
A pesquisa constatou que, para a maioria dos brasileiros, considerar-se bem-sucedido é uma atitude arrogante.
"Existe no Brasil uma cultura de condenar quem se vangloria das próprias realizações e de enaltecer a humildade” - afirmou a coordenadora da pesquisa.
A arrogância costuma ser confundida com auto-estima em excesso.
Os complexos de superioridade e a arrogância, porém, pertencem a outra natureza. Uma pessoa com auto-estima elevada acredita que tem o controle da própria vida, sente-se confiante em lidar com os contratempos e almeja alcançar o sucesso na vida pessoal e profissional. 
É a melhor maneira de viver bem. Gente que tem uma boa auto-estima nunca se sente sozinha, pois solidão é a distância que se tem de si próprio.
A moderna psicologia não aceita mais a idéia de que alguém possa ter auto-estima em excesso.
Seria como ter saúde em excesso.


N.L.: lambido de uma reportagem especial publicada em – com licença da má palavra – Veja, em Julho/2007, que a lambeu na fonte do filósofo e psicoterapeuta Chris Almeida (www.maisde50.com.br)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

ANDERSON CARECA E FÁBIO PONTES, QUEM DIRIA...

POLÍCIA PRENDE DUPLA DE MANGARATIBA
POR EXTORQUIR EX-PREFEITA
DE SAQUAREMA
A equipe da 124 DP prendeu na tarde de hoje (01/NOV) os identificados IATAANDERSON BASTOS BRUM e FÁBIO PONTES DA SILVA que são acusados de extorsão praticada contra a ex-prefeita de Saquarema FRANCIANE MOTTA, esposa do deputado estadual PAULO MELO do PMDB.
Pela manhã a equipe de investigação da 124 DP recebeu denúncia de que indivíduos oriundos de Mangaratiba estariam viajando para Saquarema com o objetivo de extorquir dinheiro da ex-prefeita sob ameaça de  apresentar falsas denúncias contra FRANCIANE ao Ministério Público.
A equipe de investigação da 124 DP liderada pelo delegado titular LEONARDO MACHARET se dirigiu ao escritório da ex-prefeita, localizado no bairro Porto da Roça e instalou equipamentos de captação audiovisual no local e realizou monitoramento da reunião entre um advogado da ex- prefeita e os indivíduos. Após os criminosos exigirem o valor de R$ 300.000,00 para nao apresentar as falsas denúncias ao MP, os policiais que estavam em uma sala anexa realizando o monitoramento ingressaram na sala de reunião e deram voz de prisão a FABIO e ANDERSON.
Na delegacia FÁBIO se apresentou como sendo jornalista e alegou que teria sido denunciante em um processo que levou a condenação de 52 anos de prisão do ex-prefeito de Mangaratiba, EVANDRO BERTINO JORGE, conhecido como Capixaba. Já ANDERSON exerceu o cargo de secretário de serviços públicos de Mangaratiba e que também alegou ter atuado como delator no processo contra Capixaba.
A equipe de policiais da 124 DP agora investiga a participação dos criminosos presos em uma quadrilha que pratica extorsão a políticos e servidores públicos em todo o Estado do Rio de Janeiro.
Os criminosos foram autuados em flagrante e serão encaminhados para o Complexo Penitenciário de Bangu, onde aguardarão julgamento.
Leia AQUI a reportagem de O DIA. 
N.L.: os dois  meliantes foram secretários no governo do ex-prefeito Rui Quintanilha que assumiu após a prisão do prefeito Capixaba.