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segunda-feira, 12 de abril de 2010

DILMA NÃO FOGE À LUTA

“Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.”

Na sexta-feira 13 de março de 1964, no comício da Central do Brasil, em que João Goulart defendeu as reformas de base, José Serra, então presidente da UNE e com 21 anos, foi o mais jovem a discursar.
Consumado o golpe militar, logo depois, em 31 de março, José Serra se refugiou na casa do deputado Tenório Cavalcanti, em Caxias. Após o incêndio da sede da UNE, no Flamengo, pelos militares, José Serra escondeu-se por mais alguns dias na casa de amigos. Depois, refugiou-se na embaixada da Bolívia, e lá ficou durante três meses. Os militares não queriam deixá-lo sair do país: "Este não deixaremos ir embora. É muito perigoso”, disse Costa e Silva para os bolivianos. Conseguiu fugir para a Bolívia e depois foi para a França, onde ficou até o início de 1965.
Retornou clandestinamente ao Brasil em março de 1965. Permaneceu no país alguns meses, mas perseguido, como tantos outros, fugiu novamente. Abandonando os companheiros de luta.
Radicou-se no Chile, onde permaneceu por oito anos, vivendo carreira acadêmica até 1973. Lá, casou-se em 1967 e teve dois filhos. Chegou a prestar assessoria ao governo de Allende por alguns meses.
Com o golpe liderado pelo general Pinochet e a destituição de Allende, em setembro de 1973, Serra foi preso no aeroporto quando tentava fugir com a família. Um major que, depois, o libertou foi posteriormente fuzilado como traidor. Serra refugiou-se na embaixada da Itália, onde ficou por oito meses aguardando um salvo-conduto. Quando o conseguiu, fugiu para os Estados Unidos.
José Serra fugiu de duas ditaduras e somente retornou ao Brasil quando foi sancionada a Lei da Anistia.
Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.
Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura. Não fugiu à luta como determina o hino nacional. Foi presa, torturada , condenada, ficou detida quatro anos. Libertada, retomou a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT. Foi secretária do governo do Rio Grande do Sul. Depois, Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil, sempre ao lado do Presidente Lula.
"Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco", disse Dilma Roussef em seu último discurso.
Dilma pode até ser chamada de terrorista pelas viúvas do mais negro período da nossa história. Mas, nunca poderá ser tachada de covarde.
E você, minha leitora, o que vai escolher: a covardia de um homem ou a valentia de uma mulher?

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